O Zé encantou a Menina pelos olhares quase que despercebidos. Olhares que sabiam o que o coração falava docemente. E a Menina não podia esconder do Zé seus pensamentos. Era impossível dizer uma coisa e sentir outra. E o Zé logo percebia a voz trêmula da Menina que tentava disfarçar com risadas. Percebia no toque das mãos quentes que aquecia as mãos geladas dela. Ela não aprendeu a ter diálogos distantes dele. Qualquer palavra dita era preciso um toque. Era preciso um esbarrão. Um carinho descompromissado. A Menina não entendia aquele jeito quieto e espontâneo do Zé. Mas sabia que o que sentia aumentava um pouco mais a cada dia. E como isso? Tentava esquecer, se anular, se perder. Mais não conseguia. Até que um dia teve uma grande surpresa. O Zé havia se apaixonado por ela e só por ela, pelos seus pequenos e belos olhos verdes. Havia se encantado pelos seus olhares suaves que disparava em sua direção. Gostava do jeito que ela o conduzia pela vida a fora. E então não mais se conteve. Foi recíproco, como nos filmes antigos que os casais se namoram pelo olhar. Beijaram-se. E aquele beijo aconteceu diante de uma platéia anônima que passava despercebida por aquele lugar. Sem saber que ali começava um grande amor. Abraçaram-se. Como se aquele abraço estivesse guardado há muitos anos. Como se ela houvesse esperado muito tempo para descobrir que aquele rosto era o rosto do seu amor. Que aquela companhia do Zé era a companhia que em oração pedia todos os dias a Deus. Como se sensação de medo fosse anestesiada pela sensação do amor. A Menina não havia perdido o gosto pelo afeto. Nunca tivera sido fraca para relacionamentos. Mais a verdade é que o que veio antes é que nunca foi forte o suficiente para prender a Menina.
belo...
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