E se Deus há um tempo atrás tivesse
sentado do meu lado e me contasse tudo que iria acontecer, certamente eu
poderia até duvidar de Deus. E quer saber eu não queria o que ele tinha
reservado. Capaz que uma moça do interior tão pouco corajosa mudasse
tanto. Que iria deixar tantas pessoas, histórias e
certezas para ir rumo ao desconhecido? Jamais eu sozinha teria a audácia de
sonhar com tudo isso. Se há um ano atrás eu pudesse saber tudo que me
aconteceria eu não teria saído de lá. Não teria sequer coragem de colocar a
ponta do nariz pra fora da porta. Mas cá pra nós. Uma confissãozinha... Vim sem
coragem. Vim no susto! Quando dei por mim já estava completando minha primeira
semana. Um mês... Outro mês, e a vida mudando. E assim eu fui, e fui muito! Cada
dia um novo dia. Uma nova oportunidade. Cada
dia uma saudade diferente. Uma falta. Um aprendizado. Tanta coisa passou. Tantas outras vieram. Tantas outras finjo não ver. Mudar é um processo lento. Um processo caro, doloroso e quase invisível.
A gente não acorda de um dia pro outro e diz que mudou. A gente só percebe que
as coisas estão diferentes quando você mesmo se olha no espelho e se pergunta: -Ei quem é você? E aí eu nem tenho mais
a resposta. Só sei que o sotaque continua carregado. Que água ainda tem que ser
do filtro de barro. Que saudade de casa divide a vontade de conquistar o mundo.
Que os amigos de verdade permanecem. Que os novos a gente conhece um
pouquinho a mais cada dia. Que o amor
chega, ô se chega. E que a paciência... Bom a paciência é a virtude mais
bonita que um ser humano pode ter. Que eu nunca tinha experimentado isso. Esperar
um pouquinho mais pra ter alguma coisa
melhor. E que Fé.. ou se tem, ou não
tem... E que quem não tem, tá lascado! Eu jamais vou esquecer de onde vim,
de onde sou, quem eu tenho. Jamais deixarei de lado as lembranças bonitas dos
últimos... “alguns” anos. Mas também sei que a vida está só pulsando. E
que a cada batida ela me convida ainda
mais pra perder o fôlego. Então que seja assim. Que seja tudo no mínimo: Encantador.

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