Por Karen Chayene.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

E eu tão só. #

Eu tinha vontade de guardar cada coisa sua, deixar tudo em vídeo pra que depois eu pudesse ver e rever, e olhar de novo, como se eu tivesse vivendo você mais uma vez. Mostrar pra quem eu quisesse como você era, mais porque fazer isso? Você era tão pouco minha pra eu dividir! Só pra mim. Se eu contasse como nós “vivíamos” me chamariam de louco por estar assim. Eu vivia com você, mas você, criança, intacta, neutra, rara, feita de pedra translúcida, você não vivia comigo. Só nós dois sabíamos onde e como estávamos. Nos encontrávamos nas esquinas de olhares estranhos, naquele clichê de “caladas da noite”. Ela era minha, e eu somente dela, como eu acreditava nisso. Mas acabou. Mas não como das outras vezes, de idas e vindas, dessa vez acabou. Nada de voltarmos como se nada tivesse acontecido, nada de muito amor. Ela simplesmente foi. E eu fudido, fiquei. Tão dependente dela eu assim me encontrei, puta merda e porque? E como, e quando foi isso? Quer saber? Tá uma miséria isso tudo, tô bebendo muito, e tô fumando que nem uma caipora. Agora você entende o aspecto viver de aparência, criança? Você me sustentava, fazia eu não estar nem aí pra esse mundo de merda! Eu era só seu, e seu mesmo. Não, eu não era, eu sou! Mas hoje eu não tenho mais você pra me dar! Eu rolo na cama de um lado para o outro, eu vivo cheio de olheiras, como se fosse uma daquelas maquiagens definitivas, sabe como é? Eu peguei o meu (seu) amor e joguei ao léo, quem quis levou. Mas não tem nada não, criança, qualquer dia desses não tão perto, eu aprendo, deixo de viver assim, quer dizer, de agir assim, porque isso não é vida. Um dia eu faço a barba, eu jogo o cigarro fora, paro de beber então, tomo um banho e vou de peito aberto procurar o teu amor, por onde for!

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